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RASTREAMENTO PARA O CÂNCER COLORRETAL

Por: Dr. Leonardo Maciel em 12/08/2019

RASTREAMENTO PARA O CÂNCER COLORRETAL

O risco ao longo da vida de uma pessoa desenvolver o câncer colorretal é de 1 em 20 (5%). Um risco aumentado está presente se houver história pessoal ou familiar de câncer colorretal. Também uma história pessoal de câncer de mama, de útero ou de ovário aumentam o risco de desenvolver câncer colorretal. Uma história pessoal ou familiar de pólipos do cólon também aumenta esse risco. Tanto a Doença de Crohn, quanto a colite ulcerativa também podem favorecer o surgimento do câncer colorretal após vários anos de doença.

POR QUE AS PESSOAS DEVEM SER RASTREADAS?

O câncer colorretal raramente causa sintomas em seus estágios iniciais. O câncer de cólon geralmente começa como um pólipo benigno. Os pólipos do cólon podem ser ou não pré-cancerosos. Esses pólipos podem ser detectados por testes de triagem e podem ser removidos, evitando assim o desenvolvimento do câncer colorretal.
Os cânceres precoces podem ser curados em até 90% dos casos. Uma vez que o câncer colorretal cause sangramento, mudança nos hábitos intestinais ou dor abdominal, ele geralmente progrediu para um estágio mais avançado.

QUAIS TESTES DE RASTREAMENTO ESTÃO DISPONÍVEIS?

O exame de sangue oculto nas fezes verifica várias amostras de fezes quanto a presença de quantidades invisíveis de sangue. O sangramento pode ser devido várias causas, incluindo pólipos ou câncer colorretal. Se for positivo, uma colonoscopia (veja abaixo) é necessária.
A colonoscopia usa um instrumento longo e flexível para avaliar o revestimento do cólon e do reto; áreas anormais podem ser biopsiadas ou removidas, e enviadas para o laboratório para teste. Segura e eficaz, a colonoscopia é o teste de triagem mais comumente recomendado, pois o cólon inteiro é visto, e os pólipos pré-cancerígenos podem ser removidos, prevenindo o câncer de cólon.

Figura 01: A colonoscopia é o teste de triagem mais comumente recomendado para rastreamento do câncer colorretal.

A sigmoidoscopia flexível permite que um médico examine o terço mais distal do cólon, onde cerca de metade de todos os pólipos e cânceres são encontrados. Se uma anormalidade for encontrada, uma colonoscopia é necessária. O exame de sangue oculto nas fezes e a sigmoidoscopia flexível são frequentemente combinados para o rastreamento do câncer colorretal.
Um enema de bário com contraste de ar é um teste de raio-x no qual o cólon é preenchido com ar e contraste para tornar visível o seu revestimento. É usado principalmente apenas se uma colonoscopia completa não puder ser feita.
A colonoscopia virtual combina imagens de tomografia computadorizada do cólon cheio de ar, em imagens que parecem uma colonoscopia. Se anormalidades forem encontradas, a colonoscopia é necessária. Também é útil em pacientes que têm uma colonoscopia incompleta.

QUAIS SÃO AS RECOMENDAÇÕES DE RASTREAMENTO?

Para pessoas sem fatores de risco, a triagem começa aos 45 anos. Ter uma colonoscopia a cada 10 anos é considerado o padrão-ouro. A sigmoidoscopia flexível a cada 5 anos com exame anual de sangue oculto nas fezes é uma alternativa aceitável quando a colonoscopia não é viável.
Pessoas com um parente próximo (pai ou irmão) com câncer colorretal ou pólipos começarão a triagem aos 40 anos, ou 10 anos antes da idade mais jovem em que um parente foi diagnosticado. Esses pacientes serão submetidos a exames a cada três a cinco anos, mesmo que o teste seja normal.
Tipos menos comuns de câncer de cólon hereditário (câncer de cólon hereditário sem polipose e polipose adenomatosa familiar) podem requerer uma triagem muito mais frequente, começando em uma idade muito mais precoce.

O QUE SÃO AS RECOMENDAÇÕES DE VIGILÂNCIA?

As pessoas que tiverem pólipos pré-cancerígenos completamente removidos devem realizar uma colonoscopia a cada 3 a 5 anos, dependendo do tamanho, tipo e número de pólipos encontrados. Se um pólipo não é completamente removido por colonoscopia ou cirurgia, outra colonoscopia deve ser feita em 3 a 6 meses.
A maioria dos pacientes com câncer colorretal deve realizar uma colonoscopia dentro de um ano após a cirurgia inicial. Se todo o cólon não puder ser examinado antes da cirurgia, a colonoscopia deve ser feita dentro de 3 a 6 meses após a operação. Se esta primeira vigilância for normal, então a colonoscopia deve ser feita a cada 3 a 5 anos.
Pacientes com colite ulcerativa ou doença de Crohn por oito anos ou mais, devem fazer uma colonoscopia com múltiplas biópsias a cada um a dois anos.

Dr. Leonardo Maciel

Postado por: Dr. Leonardo Maciel, publicado em: 12/08/2019

Médico com residência médica em Cirurgia Geral, Coloproctologia e Endoscopia Digestiva. Mestre e Doutor em Cirurgia. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

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