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INTOLERÂNCIA À LACTOSE

Por: Dr. Leonardo Maciel em 18/11/2020

Intolerância à lactose

A lactose é o principal açúcar presente no leite e derivados. Trata-se de um açúcar complexo, que precisa se quebrado em acúcares simples para ser absorvido pelo intestino. A enzima responsável pela quebra da lactose é a lactase.
A lactase, produzida por células do revestimento interno do intestino delgado, decompõe a lactose em seus dois compostos: glicose e galactose. Posteriormente, esses açúcares simples são absorvidos pela parede intestinal e entram na corrente sanguínea.
Na ausência da lactase, a lactose não pode ser digerida nem absorvida. A elevada concentração de lactose proveniente da ausência de lactase, resulta na drenagem de líquidos para o intestino delgado, provocando diarreia. Em seguida, a lactose chega ao intestino grosso, onde é fermentada por bactérias, produzindo gases que causam flatulência, distensão e cólicas abdominais.

CAUSAS

Os níveis de lactase são altos em bebês, o que permite que digiram o leite. Porém, na maioria dos indivíduos os níveis de lactase diminuem após o fim do período de amamentação. A maioria das crianças que têm deficiência à lactase não apresentam sintomas de intolerância à lactose até no final da adolescência ou idade adulta.

Pessoas com deficiência de lactase são incapazes de digerir grande quantidade de lactose. Pesquisas mostram que 70% dos brasileiros apresentam algum grau de intolerância à lactose, que pode ser leve, moderado ou grave, de acordo com o grau de deficiência da lactase. Já 80% a 85% de brancos de origem norte-europeia produzem lactase por toda a vida e conseguem digerir leite e laticínios na idade adulta.
Diante dessas informações, é interessante notar que a “intolerância” é, na verdade, o estado normal para a maioria das pessoas. Isso não significa ter uma doença, mas sim uma condição normal do envelhecimento. A intolerância à lactose temporária pode se desenvolver quando um distúrbio, como uma infecção danifica o revestimento do intestino delgado. Assim que a pessoa se recupera desses distúrbios, ela consegue digerir lactose novamente. Exemplo dessas doenças são doenças diarreicas graves, doença celíaca, doença de Crohn ou quimioterapia.

SINTOMAS

A pessoa com intolerância à lactose geralmente não consegue tolerar leite e derivados lácteos. Os adultos normalmente desenvolvem sintomas apenas após consumirem mais de 250 a 375 mililitros de leite. Algumas pessoas identificam precocemente que leite e laticínios causam problemas gastrointestinais e, consciente ou inconscientemente, evitam tais alimentos.
Um adulto pode ter distensão e cólicas abdominais, diarreia líquida, flatulência, náusea, ruídos intestinais tipo bolhas ou roncos (borborigmo) e necessidade urgente de defecar entre trinta minutos e duas horas depois de ingerir alimentos contendo lactose. Em determinadas pessoas, a diarreia intensa pode impedir a absorção adequada dos nutrientes, pois eles são eliminados do corpo com muita rapidez. No entanto, os sintomas que resultam da intolerância à lactose tendem a ser leves.

ALERGIA AO LEITE DE VACA

Crianças com alergia ao leite de vaca também desenvolvem sintomas depois de consumirem leite ou laticínios. Entretanto, esses sintomas se assemelham a outras reações alérgicas, apresentando também coceira, eritema e/ou sibilos. Às vezes, as crianças têm sintomas no trato digestivo, como vômito, dor abdominal e, raramente, diarreia.
A alergia a leite de vaca é rara em adultos e pode causar vômito e sintomas de refluxo esofágico.

DIAGNÓSTICO

• Avaliação médica dos sintomas que ocorrem após o consumo de lactose.
• Exame respiratório do hidrogênio expirado.

O médico suspeita de intolerância à lactose quando a pessoa apresenta sintomas depois de consumir leite e derivados. O diagnóstico confirma-se em um período de três a quatro semanas se os sintomas desaparecerem com uma dieta sem laticínios e se os sintomas retornarem posteriormente quando a pessoa consumir laticínios.
Exames específicos raramente são necessários, mas, em algumas pessoas, o médico confirma o diagnóstico por meio de um exame respiratório do hidrogênio expirado. Nesse exame de três horas, a pessoa consome uma quantidade pequena e calculada de lactose. O médico mede a quantidade de gás hidrogênio na respiração da pessoa antes e depois que ela consumiu lactose, em intervalos de uma hora. O hidrogênio é medido porque as bactérias intestinais produzem hidrogênio ao digerir a lactose não absorvida. Se a quantidade de hidrogênio na respiração apresentar um aumento significativo após a pessoa ter consumido lactose, então ela é intolerante à lactose.
O exame de tolerância à lactose é um tipo de exame alternativo menos sensível. Depois que a pessoa tiver consumido uma quantidade calculada de lactose, o médico monitora seus sintomas e mede seus níveis de açúcar (glicose) no sangue várias vezes. A pessoa que consegue digerir lactose não desenvolve sintomas e seu nível de açúcar no sangue sobe. A pessoa que não consegue digerir lactose desenvolve diarreia, distensão abdominal e desconforto em 20 a 30 minutos e seu nível de açúcar no sangue não aumenta.

TRATAMENTO

• Evitar consumo de lactose.
• Tomar suplemento de lactase.

A intolerância à lactose pode ser controlada por meio de dieta isenta de alimentos que contenham leite e derivados. O iogurte geralmente é tolerado, pois contém lactase naturalmente, produzida por lactobacilos. O queijo contém quantidades menores de lactose que o leite e, normalmente, é tolerado, dependendo da quantidade ingerida. Em diversos supermercados, é possível encontrar leite e outros produtos com lactose reduzida. Suplementos da enzima lactase são vendidos sem receita e podem ser tomados quando forem ingeridos produtos que contêm lactose.

Dr. Leonardo Maciel

Postado por: Dr. Leonardo Maciel, publicado em: 18/11/2020

Médico com residência médica em Cirurgia Geral, Coloproctologia e Endoscopia Digestiva. Mestre e Doutor em Cirurgia. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

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