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DOENÇA DE CROHN

Por: Dr. Leonardo Maciel em 02/11/2019

DOENÇA DE CROHN

A doença de Crohn (DC) é um distúrbio inflamatório incurável que pode afetar qualquer segmento do trato gastrointestinal. Na DC a inflamação (áreas vermelhas, inchadas e sensíveis) sempre afeta o revestimento interno do trato gastrointestinal, chamado de mucosa. No entanto, a doença pode afetar também as camadas mais profundas da parede do intestino.

CAUSAS

A causa exata da DC é desconhecida. As pesquisas atuais indicam a possível conexão dessa doença com problemas no sistema imunológico e infecções bacterianas.

SINTOMAS

A DC pode se apresentar com sintomas diversos, como cansaço ou perda de peso, sintomas abdominais ou anorretais (ânus e reto). Os sintomas variam muito entre os pacientes, e muitas vezes vêm e vão por um longo período. Esses incluem:

– Cólicas abdominais
– Dor abdominal
-Diarreia ou constipação
– Sangramento nas evacuações
– Febre
– Cansaço
– Perda de peso
– Fístulas e fissuras anais
– Abscessos (infecções)

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico será realizado por meio da obtenção de um histórico médico completo, exame físico detalhado e exames que auxiliaram no diagnóstico. Dentre eles incluem estudos de raios-X, testes de laboratório, como amostras de fezes e exames de sangue, colonoscopia e tomografias computadorizadas.
Esta avaliação fornecerá informações sobre a extensão da doença e orientará o tratamento.

TRATAMENTO MÉDICO

A medicação é sempre a primeira opção, a menos que seja necessária uma cirurgia de emergência. Várias abordagens de tratamento são usadas no início e a longo prazo para ajudar os pacientes a controlar a doença. Dieta e mudanças de estilo de vida também podem ajudar.

TRATAMENTO CIRÚRGICO

A cirurgia pode ser necessária quando os pacientes desenvolvem complicações abdominais e anorretais relacionadas à doença. A cirurgia de emergência pode ser realizada quando o paciente tem uma perfuração (um orifício no intestino) ou um bloqueio do intestino. Ambas as condições podem ser fatais.

Uma cirurgia emergencial também pode ser necessária para a drenagem de um abscesso perto do ânus.
Cirurgia abdominal: A cirurgia geralmente é realizada quando os sintomas do paciente não estão mais sendo controlados com seus medicamentos. Isso geralmente significa que há um segmento do intestino que está muito cicatrizado ou estreito para funcionar adequadamente. A cirurgia pode ser realizada por meio de uma abordagem aberta tradicional, ou de um procedimento minimamente invasivo. Cirurgia abdominal de emergência é geralmente realizada como um procedimento aberto devido à urgência da situação. Seu cirurgião decidirá sobre a abordagem mais segura com base no seu caso individual.

O procedimento cirúrgico mais comum é a remoção da última porção do intestino delgado e o início do intestino grosso. Esses segmentos são os locais mais comumente alterados pela DC. Após a remoção de parte do intestino, o intestino remanescente é emendado (anastomosado), se possível. O final do intestino também pode ser trazido através de uma abertura cirúrgica na pele da parede abdominal. Esse procedimento (chamado de ostomia) redireciona a saída das fezes do intestino.

Cirurgia anorretal: Isso é mais comumente realizado para abrir e drenar abscessos anorretais. Um seton / sedenho (pequeno dreno) pode ser deixado em torno do ânus por um período, até que a infecção seja eliminada. A cirurgia também é usada para tratar fístulas anorretais. Em combinação com este procedimento, uma ostomia pode ser criada, mas geralmente apenas em casos graves.

PROGNÓSTICO PÓS-TRATAMENTO

É importante manter um seguimento médico periódico, para que se possa elaborar um plano de gerenciamento contínuo para adequado controle dos sintomas. Um paciente com diagnóstico de DC normalmente tomará medicação durante toda a sua vida.
Os casos de DC que afetam o cólon (intestino grosso) provocam elevação do risco de câncer de cólon. Este risco aumenta após oito a 10 anos de envolvimento contínuo do cólon. Para esses pacientes, é fundamental realizar colonoscopias regulares de acompanhamento.

COMO POSSO REDUZIR A REINCIDÊNCIA?

A recorrência é mais comum em pacientes que param de tomar seus medicamentos, por isso é vital seguir as ordens do seu médico.
Fumar afeta negativamente todos os órgãos do corpo e apresenta riscos para a saúde para todos, por isso é aconselhável parar de fumar. Para pacientes com DC, o tabagismo tem sido associado a taxas mais altas de recorrência, portanto, parar de fumar pode reduzir esse risco.

Dr. Leonardo Maciel

Postado por: Dr. Leonardo Maciel, publicado em: 02/11/2019

Médico com residência médica em Cirurgia Geral, Coloproctologia e Endoscopia Digestiva. Mestre e Doutor em Cirurgia. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

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