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CORONAVÍRUS E A CLÍNICA DIGESTIVA

Por: Dr. Leonardo Maciel em 09/04/2020

CORONAVÍRUS E A CLÍNICA DIGESTIVA

A atual pandemia do novo Coronavírus, Covid-19, tem sido o assunto mais discutido no momento, tanto na mídia, quanto nas revistas médicas e nas redes sociais. O medo, a incerteza e o desconhecimento sobre o comportamento da doença são os fatores preponderantes que podem justificar essa realidade.
Além dos desafios em lidar com o desconhecido, há outros relacionados com a sobrecarga de informações. Neste texto será listada uma série de questões relacionadas às doenças coloproctológicas, gastroenterológicas e cirúrgicas frente a essa nova situação que todos nós estamos vivenciando. Em todas as questões, as fontes consultadas serão expostas com propósito de embasar as colocações aqui postas.

1) Coronavírus e exames endoscópicos.

A principal via de transmissão do Coronavírus é por meio de gotículas respiratórias, semelhante à disseminação de outras infecções das vias aéreas como resfriados e gripes. A segunda via importante de transmissão ocorre quando uma pessoa toca uma superfície infectada e depois toca nos olhos, nariz ou boca.
Através das gotículas, o vírus liberado nas secreções respiratórias quando uma pessoa tosse, espirra ou fala pode infectar outra pessoa. Essas gotículas normalmente não viajam mais do que dois metros.
Outra questão importante. Existem evidências que portadores assintomáticos podem transmitir o vírus. Ainda não existem estimativas seguras da proporção de portadores assintomáticos do vírus, e nem do seu real potencial de transmissão.
Diante de todas essas questões foi indicado pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva que os exames endoscópicos eletivos, ou seja, não urgentes, sejam remarcados.

2) Coronavírus e Doença Inflamatória intestinal (DII)

Como todas as pessoas, os pacientes com DII devem tomar todas as precauções para prevenir a contaminação pelo Coronavírus. Destacam-se as medidas de isolamento social, etiqueta respiratória, lavagem das mãos, e utilização de máscaras quando precisar sair de casa.

A manutenção do tratamento direcionado à DII é recomendada porque pode evitar recorrências ou complicações da doença. Essa orientação diminui a chance de visitas a clínicas ou mesmo hospitalizações, o que tornaria o paciente mais exposto ao Coronavírus nestes ambientes.

Em caso de infecção suspeita pelo COVID-19, o paciente deve entrar em contato imediatamente com seu médico.

Fonte consultada: Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil

3) Coronavírus e câncer

Pacientes com diagnóstico de tumores de comportamento agressivo, em que o atraso do tratamento por dois a três meses possa causar prejuízo aos resultados de sobrevida pretendidos, a cirurgia preferencialmente não deve ser postergada. Dentre esses tumores, mas não apenas, incluem os de tumores de pâncreas, fígado e vias biliares, estômago, cólon e reto, pulmão, ovário avançado, endométrio avançado e melanoma.

A definição desta priorização deve ocorrer pelo médico assistente, em comum acordo com o paciente e seus familiares. Esses devem ser orientados sobre o risco de contrair a infecção no curso do tratamento.

Para os casos de menor gravidade ou para os quais existam opções de tratamento capazes de tornar o atraso do procedimento cirúrgico menos prejudicial, cabe a discussão do adiamento do procedimento face ao grave momento epidemiológico que enfrentamos, ainda preservando-se a autonomia da relação médico-paciente.

Fonte consultada: Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica / Colégio Brasileiro de Cirurgiões

4) Coronavírus e cirurgias eletivas (agendadas)

A doença tem influenciado o cotidiano de todos de forma contundente. Como a obrigatoriedade em seguir regras de isolamento social estritas, o planejamento e à adoção de medidas de saúde para enfrentar a crise.
Diante disso, a recomendação é que procedimentos cirúrgicos eletivos devem ser reagendados para momento oportuno. Justificativas para essa medida incluem: 1) pela necessidade de espaços disponíveis para receber mais pacientes; 2) disponibilizar mais aparelhos de ventilação mecânica, em caso de demanda aumentada; 3) prevenir eventos adversos em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos de baixa complexidade e morbidade, especialmente a infecção Covid-19.
Fonte consultada: Colégio Brasileiro de Cirurgiões

5) Coronavírus e urgências

Os médicos e hospitais estão traçando planos objetivos para realizar procedimentos essenciais e inadiáveis durante a pandemia. Especificamente as cirurgias de urgência e emergência. Esses casos incluem atender a situações tais como trauma, hemorragias digestivas, infecções graves que demandam intervenção imediata ou quase imediata.
Para essas situações toda a equipe assistencial está orientada e treinada em como proceder, protegendo-se eficazmente por meio de uso de equipamentos de proteção individual (EPI). Essas medidas diminuem o risco de maior de contaminação dos profissionais e dos próprios pacientes.
Fonte consultada: Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Dr. Leonardo Maciel

Postado por: Dr. Leonardo Maciel, publicado em: 09/04/2020

Médico com residência médica em Cirurgia Geral, Coloproctologia e Endoscopia Digestiva. Mestre e Doutor em Cirurgia. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

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