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CIRURGIAS NOS TEMPOS DE PANDEMIA

Por: Dr. Leonardo Maciel em 04/07/2020

CIRURGIAS NOS TEMPOS DE PANDEMIA

O surgimento da pandemia ocasionada pela Covid-19 vem modificando de forma inédita a vida de toda a população mundial. A área de saúde por razões óbvias é uma das mais diretamente afetada, mas as pessoas com outras doenças, e que necessitam de diferentes tratamentos, também estão enfrentando dificuldades e incertezas. No momento, esses problemas são especialmente para os procedimentos médicos eletivos (agendados), já que a maioria dos recursos de saúde estão direcionados para o tratamento de pacientes infectados pelo covid-19. Os procedimentos que estão sendo postergados envolvem desde simples consultas, exames diagnósticos, até cirurgias.
Uma multiplicidade de questões vem obrigando a comunidade médica a tomarem preocupações para evitar a transmissão, e diminuir o número de infectados, e simultaneamente manter à assistência à saúde. Dúvidas sobre o modo de transmissão do Coronavírus, as diferentes formas de manifestação clínica, que variam desde de pacientes assintomáticos ou pouco sintomáticos, e outros que se apresentam gravemente enfermos, e além disso a possibilidade de transmissão do vírus por infectados assintomáticos são questões relevantes nesse sentido.
A princípio, cirurgias eletivas foram canceladas e postergadas, e cuidados novos e extensivos de proteção foram protocolados para segurança dos profissionais e dos pacientes.

Precauções respiratórias em cirurgias

O Covid-19 é uma virose principalmente respiratória. Estudos vêm demonstrando que ela é facilmente transmitida por partículas aerossóis lançados no ar. Essas partículas permanecem no ar ambiente principalmente em ambientes úmidos e mal ventilados. Além de também se mostrarem presentes na aerolização dos eletrocautéros cirúrgicos e dos gases anestésicos inalados. Esses fatores, somados ao fato da presença também em fluidos corporais, a equipe presente na sala de cirurgia está constantemente exposta a variáveis de contaminação em potencial. Por isso a necessidade indispensável de proteção.

Normas cirúrgicas na pandemia por Covid-19

As novas normas implementadas para pacientes que serão submetidos às cirurgias, tanto eletivas como de urgência, estão seguindo protocolos rígidos tanto para evitar a transmissão do Coronavírus, bem como adiar cirurgias que possam ser adiadas, em pacientes positivos para infecção.
Se o paciente em questão apresentar qualquer evidência de infecção pelo vírus, seja por um teste positivo ou por sintomas sugestivos, ou por contato direto com pessoas, o procedimento se possível deve ser suspenso a fim de evitar contaminação desnecessária.
Em decorrência da baixa efetividade dos testes atuais, os quais apresentam há uma acurácia de 60% para swabs nasais e 31% para swabs faríngeos, todos os pacientes que adentrarem o centro cirúrgico são atualmente considerados como de risco, mesmo tendo um resultado negativo. Assim, todas as precauções de contato devem ser tomadas independente do paciente. Mesmo os pacientes que já se recuperaram da infecção e apresentam testes de anticorpos IgG positivos, que indicam proteção para a covid-19, também devem ser considerados de risco, uma vez que não há certeza de proteção definitiva e podem ser reinfectados.

Conclusão

O futuro da pandemia pelo Covid-19 é ainda incerto, mas já é sabido que o modo como lidamos com tudo, inclusive todos as condutas e procedimentos médicos já mudou de forma duradoura. E a rotina médica não pode parar. Resta para todos, serviços de saúde, consultórios, médicos, enfermagem e pacientes adaptarem-se.
Sendo assim, em algum momento as cirurgias precisam ser realizadas, uma vez que os pacientes cujos procedimentos estão sendo cancelados ou postergados irão começar a apresentar complicações ou progressão da doença em questão. O novo normal precisa ser implementado. A equipe do centro cirúrgico já tem o costume de trabalhar com equipamentos de proteção para possíveis contaminações laborais, pois estão em constante contato com fluidos e secreções corporais.
Portanto, precauções mais ostensivas em relação ao Covid-19 devem ser implementadas de uma forma constante, e por um período de tempo indeterminado. Materiais de proteção específicos (EPI) devem ser estimulados a serem produzidos como rotina e protocolos de descontaminação e prevenção também. Os novos cuidados tanto de paramentação pessoal, como de desinfecção ambiental e de material é uma nova realidade e deve ser considerado como o “novo normal” no ambiente hospitalar, principalmente nos setores onde ocorre grande manipulação das vias aéreas e fluidos corporais dos pacientes.

Dr. Leonardo Maciel

Postado por: Dr. Leonardo Maciel, publicado em: 04/07/2020

Médico com residência médica em Cirurgia Geral, Coloproctologia e Endoscopia Digestiva. Mestre e Doutor em Cirurgia. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

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