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RETOCOLITE ULCERATIVA

Por: Dr. Leonardo Maciel em 29/02/2020

RETOCOLITE ULCERATIVA

A retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória que afeta potencialmente todo o intestino grosso (cólon e reto). A inflamação está confinada à camada mais interna da parede intestinal, chamada de mucosa. O uso de medicamentos é tipicamente a primeira opção para o tratamento. Caso a cirurgia seja necessária no tratamento da RCU, geralmente ela é curativa.

FATORES DE RISCO

Homens e mulheres são afetados igualmente, e pessoas de todas as idades podem desenvolver a RCU. Uma história familiar de RCU aumenta ligeiramente o risco de se desenvolver a doença.

CAUSAS

A causa exata da RCU é desconhecida. Causas potenciais incluem anormalidades do sistema imunológico e infecções bacterianas.

SINTOMAS

A maioria dos pacientes desenvolve sintomas antes dos 40 anos de idade. Um número menor de pessoas apresenta sintomas pela primeira vez mais tarde na vida (entre 60 e 70 anos). Os sintomas da RCU são semelhantes aos doença de Crohn, quando essa afeta apenas o cólon e o reto. Os sintomas mais comuns da RCU incluem:
– Dor e cólica abdominal
– Diarreia
– Sangramento nas evacuações
– Febre
– Fadiga
– Perda de peso.

DIAGNÓSTICO

O primeiro passo é passar por uma avaliação médica completa. Depois disso, testes adicionais podem ser necessários. Isso pode incluir exames de sangue, uma colonoscopia, bem como exames de raios-x.
Essa avaliação ajuda a determinar a extensão e a gravidade da RCU, bem como exclui outras doenças, como a doença de Crohn.

TRATAMENTO MÉDICO

O tratamento com medicamentos é sempre a primeira escolha, a menos que seja necessária uma cirurgia de emergência. O objetivo da terapia médica é melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Inicialmente, a terapia mais comum é corticosteroides (hormônios esteroides) combinados com agentes anti-inflamatórios específicos. Com base na extensão da doença, estes medicamentos são tomados por via oral e/ou como um supositório.

TRATAMENTO CIRÚRGICO

A cirurgia é considerada para os pacientes quando o tratamento médico não é mais eficaz. Outras razões para que o tratamento de um paciente necessite de cirurgia incluem câncer ou lesões pré-cancerosas que são encontradas durante a colonoscopia.
Em alguns casos, a cirurgia necessita ser realizada quando ocorre uma complicação da doença, como um intestino perfurado (orifício no intestino), sangramento grave ou infecção grave (colite tóxica).
Como a RCU envolve apenas o cólon e o reto, a remoção completa de ambos pode ser feita em alguns casos. Esta opção de tratamento é curativa, mas requer uma ileostomia. Alguns pacientes podem ser candidatos a uma bolsa J. Este procedimento envolve a remoção de todo o cólon e todo o reto, com exceção do último segmento retal, onde os músculos do esfíncter anal estão localizados. O intestino delgado é então usado para criar um “novo” reto (bolsa) que é anastomosado (ligado) logo acima dos músculos esfincterianos. O paciente terá uma ileostomia temporária durante o período de cicatrização, mas, no final, ela poderá ser removida, e o paciente passará novamente a eliminar as fezes pelo ânus.
Cirurgias eletivas e de emergência podem ser realizadas por meio de procedimentos tradicionais “abertos” ou abordagens minimamente invasivas (laparoscópicas), dependendo das circunstâncias. A abordagem mais segura e eficaz é determinada individualmente.

CIRURGIA DE EMERGÊNCIA

Em uma cirurgia de emergência, o intestino grosso (cólon) é removido. O reto e o ânus são deixados temporariamente no lugar. O final do intestino delgado (íleo) é trazido através da parede abdominal até o nível da pele para eliminação das fezes (ileostomia). Como a cirurgia de emergência é feita para condições potencialmente fatais, ela é mais frequentemente feita como um procedimento aberto.
Após a recuperação, um segundo procedimento pode ser executado. Durante esta cirurgia, o reto doente é removido. Um novo reto (bolsa ileal) é criado usando o intestino delgado. O novo reto está conectado à abertura anal. Uma ileostomia de alça é criada para proteger a área até que esteja cicatrizada.
Quando a cura estiver completa, um terceiro procedimento é feito para fechar a ileostomia. Esse procedimento de tratamento da RCU em três estágios, possibilita que os pacientes operados em caráter de emergência, possam viver sem uma ileostomia definitiva.

CIRURGIA ELETIVA

Na cirurgia eletiva, o primeiro e o segundo estágios descritos acima são combinados. Esta é a cirurgia em dois estágios da RCU, podendo ser realizada por meio de um procedimento minimamente invasivo ou aberto. Tanto o cólon como o reto são removidos. Um novo reto ou bolsa em J é feito do intestino delgado e conectado à abertura anal. Uma ileostomia temporária é freqüentemente confeccionada para proteger a área do novo reto, até que ela se cure.
Após o paciente se recuperar, um segundo procedimento é realizado para fechar a ileostomia, e reconectar o intestino delgado. Em alguns casos, alguns cirurgiões optam por não criar uma ileostomia de desvio, o que resulta em um procedimento de um estágio.

PROGNÓSTICO PÓS OPERATÓRIO

Após a cirurgia, cinco a seis evacuações por dia, e uma à noite podem ser esperadas. Devido a complicações, cerca de 10% das bolsas devem ser removidas e uma ileostomia definitiva é criada.

Dr. Leonardo Maciel

Postado por: Dr. Leonardo Maciel, publicado em: 29/02/2020

Médico com residência médica em Cirurgia Geral, Coloproctologia e Endoscopia Digestiva. Mestre e Doutor em Cirurgia. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

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